Quase todo corretor autônomo trabalha, em algum momento, associado a uma imobiliária. A estrutura ajuda: tem marca, plantão, portal pago, lançamento exclusivo. Só que um dia você sai — ou a imobiliária fecha, ou muda de dono — e descobre que tudo o que fez nos últimos anos ficou no sistema de outra pessoa.
A pergunta “de quem é o meu cliente?” tem resposta. Ela só não é a mesma para todos os clientes.
O que é da imobiliária
Seja honesto aqui, porque é isso que protege a sua reputação no mercado:
- Lead que chegou pelo portal que a imobiliária paga.
- Cliente atendido no plantão de um lançamento dela.
- Imóvel captado em nome da imobiliária, com autorização assinada para ela.
- Qualquer coisa que o seu contrato de associação diga que é dela.
Levar essa base embora quando sai não é esperteza: é o tipo de coisa que fecha portas num mercado onde todo mundo se conhece.
O que é seu
- Clientes que você atendia antes de entrar na imobiliária.
- Indicações pessoais: amigos, família, ex-clientes de outras épocas e quem eles mandaram para você.
- Contatos que vieram do seu próprio site, do seu Instagram, da sua placa.
- O conhecimento que você acumulou: bairros, prédios, preços praticados, proprietários com quem tem relação direta.
O que chegou pela estrutura dela é dela. O que chegou por você precisa estar guardado num lugar seu.
Leia o contrato antes, não depois
O contrato de associação entre corretor e imobiliária costuma tratar de divisão de comissão, exclusividade e, às vezes, de quem fica com a carteira. Muita gente assina sem ler essa parte e só descobre o que concordou na saída.
Se o contrato for omisso, combine por escrito antes de começar: o que você traz, o que fica, o que acontece com uma negociação aberta no dia em que você sair. Combinado claro no começo evita briga no fim.
Separe as bases desde o primeiro dia
A forma mais simples de não misturar é não misturar. Use o sistema da imobiliária para o que é dela, e mantenha a sua base em outro lugar, com a origem de cada contato registrada. Quando chegar a hora de sair, você não precisa decidir nada no susto: a separação já está feita.
E isso vale para dados pessoais também. Nome, telefone e o que o cliente te contou são dados dele. Guarde só o que serve para atendê-lo, num lugar protegido, e apague quando ele pedir. Cuidar disso não é burocracia: é o que permite você manter a base por anos sem medo.
Perguntas frequentes
Posso avisar meus clientes pessoais que mudei de imobiliária?
Os que são seus, sim — e deve. Os que vieram pela estrutura da imobiliária anterior, não. Na dúvida, o critério é a origem do contato.
Vale a pena ter base própria trabalhando numa imobiliária?
Vale justamente por isso. Imobiliária muda, sócio sai, marca é vendida. A base que você construiu por conta própria é a única parte da carreira que muda de endereço junto com você.
Você pode trocar de imobiliária várias vezes na carreira. A sua base não deveria recomeçar em cada uma.
Marcas
- imobiliária
- carteira própria
- corretor associado
- LGPD
- base de clientes
